Posted by Fernanda Wagner | Posted in Psicopatologias | Posted on 17:14
Procurando fontes teóricas para escrever meu projeto de pesquisa, achei um livro que fala sobre sobre o ensino universitário, cujo título é Ensino universitário: seu cenário e seus protagonistas, escrito por Zabalza, que descreve algumas coisas sobre a atenção.
Segundo Zabalza, a atenção depende tanto dos alunos quanto das aulas e matérias.
"Parece lógico supor que temáticas interessantes podem atrair mais a atenção dos alunos que outras mais “chatas”, ou que uma metodologia ativa apresenta melhores possibilidades de provocar o envolvimento dos sujeitos do que situações nas quais eles se mantêm em uma posição receptiva. Também existem estratégias didáticas especialmente recomendáveis para atrair, centrar e manter a atenção.”( Zabalza, 2004 p. 215-221)E cita algumas dessas táticas:
“- Introdução de perguntas iniciais, durante as atividades, e finais. As perguntas feitas no início e durante o processo facilitam a concentração nas questões relevantes da tarefa, enquanto as finais facilitam a compreensão global, incluindo a possibilidade de separar a informação relevante e irrelevante.
As interrogações ( como as exclamações e as interjeições ) constituem apelos pessoais ao receptor. Este é um modo de envolver o aluno no desenvolvimento do discurso. Contudo, nem sempre funcionam ( por exemplo, quando é demasiado evidente que se trata de perguntas retóricas, ou quando já se tornou habitual a presença de interrogações características do estilo docente, sendo tais recursos pouco eficazes )
-Introdução de referências pessoais, alusões específicas a pessoas, casos clínicos, etc. Em geral, a “humanização” do discurso facilita a atenção dos estudantes. Advém disso a importância de fazer referências a biografias, a atuações científicas, etc.
Frente aos discursos meramente denotativos, nos quais as idéias são tratadas como unidades informativas neutras, os discursos conotativos são mais motivadores. Os primeiros exigem um esforço de decodificação. Se esse mesmo tema ou assunto se situa em um contexto mais conotativo, os processos de decodificação adquirem dimensão mais pessoal, surgindo como informações que podem ser entendidas e interpretadas por analogia a elementos da própria experiência."

Esta semana foi anunciado o período de inscrições para projetos de pesquisa na minha faculdade, e há uma vaga aberta para o curso de Psicologia. Então procurei os professores atrás de algum que pudesse e quisesse me orientar. Ainda não sabia exatamente sobre o que eu queria pesquisar, mas sabia que esse era um dos meus sonhos e que eu queria algo ligado a uma das áreas ao lado ->.
Fui então conversar com o coordenador do curso para saber quais eram os professores que teriam a linha de pesquisa ligada a isso, e ele sugeriu que eu encaminhasse um e-mail para os dois professores que poderiam me orientar. Feliz da vida, mas não o suficiente, resolvi falar ao vivo e a cores com um deles, munida com uma pré-proposta de tema pronta, que foi recusada. O professor sugeriu então uma idéia: pesquisar sobre a atenção ( e distúrbios desta ) nos alunos da faculdade.
Particularmente, eu gostei bastante da sugestão, afinal “atenção” era o único assunto que não havia sido abordado na matéria de processos psicológicos básicos, e eu finalmente vou ter chance de pesquisar e aprender sobre o tema. E mais: acho que associar a questão da atenção com aprendizagem e comportamentalismo iria ser tudo de bom ( ainda estou pensando a respeito ).
Procurando sobre o assunto no Google, achei este site - Brain Rules - que tem algumas curiosidades sobre atenção e outros assuntos. Decidi traduzir e colocar aqui algumas delas:
# Regra No 4: Não prestamos atenção para coisas chatas.
• As coisas as quais prestamos atenção são plenamente influenciadas pela memória. Nossas experiências anteriores prevêem em que iremos prestar atenção. A cultura também importa. O clima na escola ou no trabalho são diferenças que podem exercer grande efeito sobre como percebemos o mundo.
• Nós prestamos atenção em coisas como emoções, ameaças e sexo. Independentemente de quem você seja, o cérebro presta grande parcela atenção nestas questões: Posso comer isso ? Isto vai me comer ? Vou combinar com isto ? Isto vai combinar comigo ? Eu já ví isso antes ?
• O Cérebro não é capaz de realizar múltiplas tarefas. Nós podemos respirar e falar, porém quando ficamos sobrecarregados, isto torna-se impossível.
• Dirigir enquanto falamos ao telefone celular é igual a dirigirmos bêbados. O cérebro é um processador seqüencial e grandes frações de segundo são consumidas toda vez que realiza várias tarefas. Este é o motivo de motoristas falando ao celular serem meio segundo mais lentos para pressionar o freio e sofrerem mais acidentes.
• Locais de trabalho e escolas geralmente encorajam as multi-tarefas. Entre em qualquer escritório e você verá pessoas enviando e-mails, falando ao telefone, conversando em chats, e no MySpace- tudo ao mesmo tempo. Pesquisas mostram que a taxa de erro e o tempo que você leva para efetuar as tarefas aumentam em 50%.”

Sempre achei que os professores ( alguns, não todos ) negligenciavam o fato de alguns alunos colarem em provas e avaliações somente por acreditarem ser afirmativa a resposta quanto à questão feita na postagem anterior.
Detalhe: Aqui não estou querendo discutir se a negligência as colas é correta ou errada. Vou apenas citar alguns outros motivos pelos quais alguns professores fingem não ver quando seus alunos estão colando.
Outro motivo é que para alguns professores o fato de o aluno colar mostra que ele estudou, uma vez que teve que efetuar a leitura da matéria para produzir a cola, e somente utiliza a mesma, pois está inseguro.
"Ao selecionarem as palavras que resumem o texto, os alunos se forçam a repetir o texto com suas próprias palavras. Essa repetição aumenta a capacidade de articulação dos alunos sobre o texto estudado, visto que eles não se prendem às palavras do autor, preferindo utilizar suas próprias palavras." ( Super-Memória por Dell’Isola 2009 )

Emfim, o que tudo isso tem haver com análise do comportamento?
Certo dia, na aula, estava aprendendo sobre reforçamento e foi dita a seguinte frase: “ O aluno cola pois este comportamento é reforçado pela nota que tira ( que na maioria das vezes é alta ), fazendo com que este comportamento aumente ou mantenha a freqüência”.
Realmente. Eu estudo e tiro nota 8, e vejo que quem cola nas provas tira nota 10 com parabéns e estrelinhas. Uma vez que o aluno é valorizado pela instituição de ensino pela nota que tira, logo o que este acha que é a melhor opção? Para a vida acadêmica é colar, porque o aluno que tira nota 10 é visto como melhor do que o que tira nota 8. Logo, o aluno que antes não colava, se sente inferior e tende a adquirir o comportamento de colar, uma vez que o comportamento estudar não deu o resultado esperado por ele.

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Inspirada na série Habilidades Sociais: Como Agir do blog [“Comporte-se”] e aproveitando a aproximação do dia do meu aniversário resolvi pesquisar sobre as diferentes maneiras que as pessoas comportam-se na hora em que todos se reúnem para cantar a música do aniversário.
Primeiro, há a grande reunião de pessoas, todas paradas, olhando para o aniversariante no momento em que cantam uma música de aproximadamente 45 segundos.
Para algumas pessoas, a presença de um grupo ao seu redor pode ser uma situação desconfortável. Em outros casos, o simples fato de não saber o que fazer com as mãos e com o corpo, além da vermelhidão e do suor que este momento pode causar são motivos para que o aniversariante se sinta encabulado.
A aquisição de um comportamento ( no caso evitar falar com as pessoas) para se livrar de uma conseqüência ( sentir-se envergonhado/ não saber o que fazer ) que nesta situação, e para este indivíduo é aversiva, é um tipo de reforçamento negativo denominado esquiva.
Talvez as pessoas que não gostam da hora do “parabéns pra você” simplesmente evitem fazer festas e comemorações nos aniversários seguintes ao que se sentiram constrangidas para evitarem ( se esquivarem) esta situação, a qual não sabem como agir.
Pode-se, também, solicitar que os convidados não cantem esta música, mas em nossa cultura, este pedido provavelmente não vai ser atendido, uma vez que muitas pessoas consideram que “sem parabéns não existe aniversário”.
Enfim, como agir neste momento? Devemos agradecer? Bater palmas? Cruzar os braços? Sorrir? Chorar? Todas as reações são possíveis.
Através de buscas em artigos e pesquisas científicos não achei nada que comprove que certo comportamento irá emitir respostas mais desejáveis que outro neste momento ( que entraria, provavelmente, na categoria de "Habilidades Sociais" ). O que parece é que cada pessoa poderá testar e encontrar a sua maneira de reagir a isto para que fique menos constrangido.

Fernanda estava ficando muito cansada de estar sentada ao lado de seus colegas pensando em que abordagem da Psicologia escolher, quando subitamente um rato branco de laboratório com olhos vermelhos passou correndo perto dela.
Não havia nada de muito especial nisso, também Fernanda não achava fora do normal ouvir o rato dizer para si mesmo “ Oh puxa! Oh puxa! Eu devo estar seguindo o caminho errado, pois estou levando choques! ” ; mas, quando o rato tirou um convite do bolso e olhou para ele, apressando-se a seguir, Fernanda pôs-se em pé, e pensou rapidamente, que nunca havia visto um rato branco correndo solto por aí e muito menos com um convite. Ardendo de curiosidade, ela correu pelas ruas atrás dele, a tempo de vê-lo saltar para dentro de um ônibus. No mesmo instante, Fernanda , entrou no ônibus.
O ônibus dirigia-se diretamente para a OAB. Ou aquilo era muito longe, ou o ônibus andava muito devagar, pois a menina teve tempo de olhar tudo o que havia ao seu redor e desejar saber o que iria acontecer a seguir.
Chegou então a um grande hall onde havia uma prateleira com vários livros e uma mesa feita em madeira: não havia nada em cima dela a não ser um registro de assinaturas e uma minúscula chave dourada. Assinou no livro onde, magicamente, estava escrito o seu nome. A seguir olhou para frente e observou que haviam três portas. Observou mais atentamente e descobriu uma cortina, que escondia uma porta de aparentemente 30 centímetros. A menina colocou a pequena chave dourada na fechadura, e para seu grande prazer, ela encaixou!
Fernanda abriu a porta e viu que dava para uma pequena passagem, não muito maior que um buraco de rato: ela ajoelhou-se e avistou o maior auditório que jamais vira, onde supostamente, estava ocorrendo um encontro. Na parte frontal do auditório havia um telão, o qual esforçara-se para ler o que estava escrito e encontrou: II Encontro Catarinense de Análise do Comportamento e o rato branco estava logo a baixo. Como ela gostaria de sair daquele hall e entender o que as pessoas do encontro estavam falando! Ela então desejou que pudesse encolher para passar por aquele buraquinho de rato.
Vejam só, ela realmente ficou de um tamanho que permitiu que atravessasse a porta! Tantas coisas estranhas tinham acontecido ultimamente, que Fernanda começara a pensar que muito poucas coisas eram realmente impossíveis.
Ao passar a porta, sentou-se em uma poltrona, na sexta fileira, e começou a escutar o que as pessoas falavam. Se deu conta de que tratavam-se de pessoas importantes: psicólogos, professores e por fim, analistas do comportamento. Falavam que os organismos interagem com o meio moldando os comportamentos e reforçando os que são favoráveis, assim como do meio, que também contribui para que os organismos tenham seus comportamentos reforçados ou não além de expressões como contingência de reforço, esquiva, análise de variáveis, experimentos e pesquisas com ratos, observação da aquisição e aprendizagem de novos comportamentos, bem como extinção destes. Estava rodeada por gente que já havia aprendido muita coisa e que estava disposta a passar o conhecimento para frente. Sentiu-se um pouquinho maior do que realmente estava naquele momento.
Fernanda ainda não entendia muito bem o que era cada um daqueles assuntos ( e ainda não entende, realmente) , mas ficou maravilhada com os resultados que eles poderiam fornecer, e percebeu que deveria estudar mais sobre este assunto e ainda tem muito o que aprender sobre tudo isto. Decidiu uma parte de sua vida. Enfim, foi dado um passinho, pequenino demais, mas ainda assim um passinho, para que seu sonho seja um dia realizado.
Fonte:
Carroll. L,. Alice no país das maravilhas. Disponível em http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/alicep.html. Acessado em: 24 de abril de 2010.
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